sábado, 25 de fevereiro de 2017

Uma carta sincera de um pecador ao seu Dono


Oi, Paizinho.

Eu sei, eu sei, talvez essa seja a 845675894º vez que eu te dirija uma oração desse tipo. Sei também que uso esse mesmo jargão quando a faço, todas as vezes. É só que meu peito dói demais com tudo isso, e eu preciso te contar, porque só quando Lhe conto me percebo sendo realmente ouvido e entendido. 

Eu sou um verdadeiro medroso, essa é a verdade. Tenho medo de confiar no Teu amor, Pai. Ele parece maravilhosamente preenchedor, mas há uma voz no meu coração que diz para eu não confiar nele, dizendo-me que a vida é muito mais que isso. Quem sabe algumas maratonas de alguma série no Netflix, ou noites viradas para terminar um livro do Percy Jackson em três dias. Enfim, coisas do tipo. Mas há uma outra voz gritando, dizendo que nada disso verdadeiramente me aliviará do peso que sinto, afinal, o vazio no meu peito é exatamente do Teu tamanho. 

Dia após dia, Deus, eu me angustio comigo mesmo. Já falei a todos que poderiam me aconselhar, mas a iniciativa de confiar precisa partir de mim. Contudo, meu Pai, como confiar? Como conseguir abrir mão disso tudo pelo Teu grande amor? Eu sei que é uma escolha óbvia, Paizinho, o mesmo que trocar uma nota de 1 real por um prêmio acumulado na Mega-Sena, mas, quando eu me deparo com o meu medo, a minha fé se esvai e eu não consigo enxergar mais o Teu amor e o Teu cuidado. Só consigo visualizar meus erros, meus desesperos, minhas confusões. De repente, o Teu amor não parece tão real. Resolvo, por fim, desistir. Não me julgo digno do Teu amor, Senhor, e, de fato, não o sou. Não consigo confiar na graça, porque não tenho fé. Com isso, minha esperança em Ti vai minando, e me entrego aos meus estresses, aos meus defeitos e repito em minha mente que nunca serei digno. Que nunca poderei provar verdadeiramente da graça. 

E cá estou eu, mais uma vez, sentado/deitado, pensando no que eu posso dizer ou fazer de diferente para me dar forças para acreditar que amanhã será diferente. Que amanhã o medo não vai bater à minha porta. Percebo, enfim, como em todas as noites, que não tenho como negar, simplesmente, Tua existência. Não consigo dizer para mim mesmo "Deus não existe" ou tomar a iniciativa de me tornar ateu. O Senhor já faz parte do meu dia a dia a tanto tempo, não consigo lhe dizer um definitivo adeus. E, sinceramente, não quero.

Paizinho, ouça minha oração. Sei do quão falho eu sou, eu sei sim. Tudo o que eu peço é para que aproveite esse sentimento de dependência que em mim surge todas as noites, quando reparo que não posso deixar de lutar, quando reparo que não posso deixar Teu nome de lado e deixar meu medo me consumir. Amanhã, abra meus olhos como nunca abriu antes e me ajude a mergulhar no Teu amor. Não permita que venha a se iniciar mais um ciclo, em que me entrego ao medo e, então, volto para os Teus braços. Eu quero, na verdade, estar neles o tempo inteiro, não andar bambeando. 

Por fim, Pai, preencha esse Teu servo, esse jovem garoto aqui, agora melancólico e negativo, com o Teu cuidado e ajude-o a vencer o seu medo diário de pessoas, de ser julgado por elas ou de exaltar o Teu nome. Não deixa haver, por favor, uma 845675895º vez. Na verdade, me faz entender os Teus olhos de amor para com todos os seus filhos, o que também me inclui.

Essa é a minha sincera oração, Amigo! 

Nenhum comentário:

Postar um comentário